terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Enquanto almoçava, em modo me myself and I, nas Amoreiras, apercebi-me de uma conversa de 6 rapazes que estavam sentados na mesa em frente.

Pelas idades – 15-16 anos – pareceu-me ser dos tablets ou dos androids, mas estava mesmo muito enganada. Estavam a falar de política, do país, do gajo do SIS, do que é necessário fazer, num discurso que não me pareceu clonado de nenhum artigo de opinião. As palavras eram fluidas. Eram palavras que espelhavam pensamentos.

Foi um bom almoço. Fiquei esperançada com aqueles 6 miúdos. Mais houvessem como eles, que se debruçassem sobre o tema do presente e do futuro, naquelas idades, mais participação haveria na governação, mais ideias surgiriam, mais debates. É bom ver que nem todos os miúdos manifestam aversão à política ou que dizem: Eu não percebo nada de política. Não pode ser. Para se contestar tem de se ter conhecimento do que se quer e do que não se quer. Já chega de carneiradas. Todos podemos e devemos participar. E se cedo os habituarmos a pensar sobre essa matéria, melhor ainda.

 Tomei para mim a missão, como mãe, de orientar a minha filha para o que se passa à nossa volta. Quero que se habitue a ler os jornais, e com o tempo formar opinião, contestar e a não aceitar tudo o que lhe apresentam.

É necessário haver mais e melhor

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Humildade e Honestidade

A humildade e a honestidade sempre me foram ensinadas pelos meus pais, tios e avó como sendo os traços característicos da nossa família. Somos o que somos não o que temos, era a frase preferida do meu pai. Qualquer manifestação de arrogância, inveja ou vaidade era apontada por todos como sendo defeitos que não deveríamos seguir. É muito feio, dizia o meu Pai. Ele que na altura tinha um curso superior, mas que não deixava ninguém tratá-lo por Engenheiro. Só na obra, por respeito, fora de lá era ofensa.

Ao longo destes anos a frase do meu pai ocasionalmente vem-me ao pensamento, somos o que somos e não o que temos.

Hoje, durante uma reunião, alguém se dirigiu a mim nestes termos:
- A Senhora sabe quem é a minha família ?
- O Senhor é filho de Fulano e Fulana. Mais não sei, não está constante do processo. Mas qual é o motivo dessa chamada de atenção?
- O meus Pais são donos de uma cadeia de Tal e Tal. As nossas empresas são reconhecidas internacionalmente. Não reconhece o nome do meu Pai? A minha família é muito importante neste País.
(respirei fundo e tentei acalmar-me, hoje não, hoje não…)
- Ouça, ainda bem que se orgulha da sua família, só lhe fica bem. Mas isso não o impede de estar numa situação complicada. Como é que pretende resolver isso?
- Como é que eu quero resolver? Não me faltava mais nada, vocês que resolvam, ora essa. Apresentem-me soluções para podermos negociar.
- A fase da negociação está ultrapassada uma vez que em todas as tentativas o Senhor não cumpriu os planos acordados. Tem consciência do passo seguinte, não tem?
- Que vá para Tribunal, não quero saber. O meu Advogado irá entrar em contacto convosco. Isto não é forma de tratar um cliente na minha posição.

Hoje não respondi à letra, também não iria dar grande resultado, nem me irritei nem me alterei, de maneira nenhuma. Hoje tive pena. Pena de alguém que vive na sombra da família, e a coberto dessa sombra acha que tudo lhe é permitido. Sem fingimentos ou remorsos. Um parasita que vai saltitando aqui e ali, levando uma vida faustosa, achando que toda a gente tem a obrigação paternalista de o ajudar a manter esse mesmo nível, apesar de não ter nenhum suporte financeiro para tal.
 
Enquanto finalizava o processo, agradeci mentalmente ao meu pai pelos conselhos que na altura me pareceram demais, mas que agora, á luz do que diariamente passa por mim, fazem todo o sentido.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Momentos bons


Sábado, final da tarde.
Um magnifico pôr do sol no mar.

Filhos e pais


Hoje venho falar de um assunto que me incomoda.

Cada vez mais conheço casos de casais idosos ainda com os filhos a morar com eles. Não só a morar como a depender deles financeiramente.

Que diabo é isto? Como é possível que os filhos, na casa dos 40’s continuem em casa dos pais, sem trabalhar, a depender financeiramente destes, SEM FAZEREM NADA.

E atenção porque dos exemplos que conheço, em dois dos casos, os filhos têm educação superior, não são nem nunca foram toxicodependentes, alcoólicos ou afins.

 Agora digo eu, meus meninos, quando os papás morrerem, sim porque seguramente 20 anos mais não vão viver, o que é que os meninos pretender fazer? Só assim de repente, por curiosidade. Acham que a herança vos vai sustentar para o resto da vossa existência?  Ou quando acontecer logo perspectivam uma alternativa? Pois claro iniciar uma carreira aos 50 anos sem experiência nenhuma é uma boa aposta. Contem com isso.

Não quero ser sarcástica, porque cada caso é um caso, mas juro por muito que perspective a questão, não a consigo entender, de todo.

Estar em casa dos pais até aos 30, como a famosa Geração à Rasca, ainda entendo, enfim, mais ou menos. Comprar casa, mobilar, comprar carro são objectivos cada vez mais ambiciosos para quem tem um emprego precário. Apesar de achar que essa já é uma idade limite, uma carreira pode perfeitamente ser iniciada com essa idade. Ainda há muita estrada que pode percorrer.

 Muito diferente é ter 40 ou 45.

É bom ser controlado pelos pais? Pedir dinheiro? Ter tudo pago, mas ter de levar a toda a hora com o pai ou a mãe a entrar pelo quarto dentro? Discutir com a mãe, pela enésima vez, porque lhe voltou a vincar as calças de ganga? Ou porque o arroz tinha muito sal? Aturar as rezinguisses dos pais todos os dias, a todas as horas?

 Não, isto não é normal, não pode ser.

  Petite taliban, só um aviso, que vai ficar em depósito até completares 25 anos, prepara-te porque o pai e a mãe oferecem-te a formação que entenderes onde entenderes até esta idade, depois disso, minha querida filha que és o que eu mais amo, faz-te ao mundo que é todo teu.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nina



Se fosse para uma ilha isolada, levava a família, os amigos e a Nina Simone. Já me acompanha há 30 anos e é sempre um prazer ouvi-la. É mesmo para me, myself and I, only.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Santini


Que tal uma ida no final da tarde até ao Santini?

 São sem sombra de dúvida: I Gelati più fini del mondo e cá estou eu para atestar isso, pois já sou cliente desde que me lembro, e nenhum gelado me sabe tão bem.

Um gelado por dia nem sabe o bem que lhe fazia.




Encontros


Habitar na mesma cidade onde se passou a maior parte da vida, propícia ocasionalmente, encontros com pessoas que de uma forma ou outra compartilharam pedaços da nossa existência, num passado mais ou menos remoto.

Ex-namorados, amigos dos tempos de escola, ex-colegas de ex-empregos, amigos de amigos, família de amigos, um sem número de pessoas que nos são familiares e que coloriram ou não o pedacinho de estrada que percorremos.


Este lirismo todo para quê? Para dizer que me cruzei com um ex-namorado. É verdade. Não nos viamos á mais de 20 anos e assim de repente ali está ele, com o mesmo sorriso de sempre. Não tive fuga, e também não havia motivo para tal.
Muitos cumprimentos, olás e olés.

Primeiro tempo – análise de invólucros – envelheceu, mas isso também eu. Cabelo branco – me too, apesar de estar devidamente coberto e amadeixado.  Engordou – não quero nem falar nisso, sim?. Segundo tempo – O que é feito de ti? – Casado, filhos, divorciado, casado, filhos, divorciado e avô (por esta ordem) Avô, ena, já cruzaste a meta. Eu ainda vou, vá lá, a dois terços da chegada. Terceiro tempo – Profissão – Gestor Aposentado e Professor – Merda para isto, este gajo em vinte e tal anos deve ter entrado em warp speed, eu ainda nem a meio disso vou. Quarto tempo – o nosso tempo – aquilo é que eram tempos bons, como fomos felizes (deve sofrer de memória selectiva), nunca nos deveríamos ter separado, porque é que nos separamos (mau mau) e quando nos voltamos a encontrar, almoço, jantar, whatever!!!! Quinto tempo – a despedida – Troca de telemóveis, promessas de encontros que obviamente não irão ser cumpridos. Adeus e gostei de te rever, não quero voltar a esperar mais 20 anos para te voltar a ver. Estás na mesma. Que saudades tive tuas!!!

 Estes encontros deixam-me sempre com um sabor a amargo. Detesto quando me obrigam a fazer estas viagens no tempo, quando o tempo que passamos deve ter sido bom mas acabou mal. Por isso mesmo não permanecemos juntos, certo?

A história ficou lá, no passado, e lá deve permanecer. Porquê perder tempo a pensar no que poderia ter sido a nossa vida se tivéssemos feito outras opções. Que depressão do catano…. (hoje estou a portar-me muito bem, ainda não disse nenhuma asneira cabeluda)

É sempre bom sentir saudades de um tempo em que fomos felizes, não tínhamos preocupações, tudo era vivido ao extremo, a primeira paixão, o primeiro beijo, em que tudo era urgente, mas tão somente isso, saudades. Não é viver o presente hipotecado ao passado.

 Quando entro nessa viagem à saudade, muitas vezes fruto de encontros com pessoas do passado, vem-me à memória uma frase que ouvi há muito tempo
 

O que aconteceu em Paris, permanece em Paris.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Problemática dos enchidos



Fomos convidados para uma almoçarada de cozido à Portuguesa, e fiquei encarregue de levar os enchidos.
 - Ó tia, que enchidos é que queres?
- Ó filha traz só os chouriços que o resto eu tenho cá.
- Então queres que leve outra coisa?
- Não. Vinde com fome.
Não podendo levar um chouriço qualquer, ao invés de ir a qualquer hipermercado fui a uma mercearia na Baixa de Lisboa, muito conceituada na matéria. Não queria aparecer com um chouriço qualquer, tinha de ser uma especialidade.
 
- Por favor, pretendo chouriço para um cozido à portuguesa, que seja bom.
- Chouriço ou chouriça?
- Qual é a diferença?
- É dos temperos da carne. Está a ver este, é chouriço. Esta é chouriça.
- Desculpe mas eu não percebo nada disso. Eu quero chouriço para um cozido.
- Isso é muito vago, tem de especificar melhor.
   (ai a merda)
- Ok. Indique-me por favor onde estão os chouriços que eu escolho já. Aqui? Ok vou levar estes dois.
- Estes não são indicados para esse prato, mas sim para assar. Têm que ser picados porque têm muita gordura.
- Muito bem. Então e estes aqui?
- Esses são bons, até para comer à fatia. É uma pena cozê-los. Sabe, eu vou cortar um para a Senhora ver. Está a ver esta febra? Pois, este  tem pouca gordura, até parece salpicão. Quer provar?
- Quero, já que estou aqui. É bom, é. Vou levar dois desses para as entradas. Então e para o cozido? Estes aqui ao lado são bons?
- São (dito com muita indecisão). Quer levar estes? Quantos, 2 ou 3?
- Dois se faz favor, e mais dois dos outros que provei.
- Então são €25,00
- (gaita, vinte e cinco euros em chouriços…. enfim, são bons é o que interessa … ladrões)

- Tia, estão aqui os chouriços. Estes são para as entradas e estes para o cozido. Eu corto os das entradas, não te preocupes.
- Ó filha, onde é que foste comprar os chouriços?
- Na mercearia Tal e Tal, porquê?
- Ó filha mas isto não são chouriços, são chouriças. Não servem para o cozido.
- Não te preocupes tia que eu vou ali ao Continente comprar, está bem?
 
Amiguinho da Mercearia, se me estás a ler vai-te preparando porque não perdes pela demora. Esta semana vais levar com uma chouriça na tromba até caíres para o lado (digam lá que a figura não é linda) .

Implantes


Deveriam ser colocados em todas as figuras públicas implantes cerebrais, com a função de análise/filtragem/lixo, para que pensamentos parvos não se transformem em palavras parvas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Reunião do condomínio




Programa de sábado à tarde – Reunião do condomínio

Com o espírito de quem levou com um monte de merda em cima, lá fui para a reunião do condomínio do meu prédio. Fodida de todo, Não fui assistir ao sarau de natação da filha, não fui ao cinema, não fui namorar com queria, tudo programas falhados só para estar 3 horas a aturar os pintelhos dos vizinhos. E foi assim:

Há quórum ou não? Há, então podemos iniciar.
Aprovação de contas do ano passado – pacífico (deve ser por ser o primeiro ponto)
Aprovação do orçamento para 2012 – mais ou menos pacífico (ena, o pessoal está a ficar bem comportadinho, pode ser que acabe mais rápido assim, meia hora e estamos na rua, ainda vou à piscina, yes yes)
Eleição da Administração – Inqualificável. (estúpida, ainda acreditas no Pai Natal) Amigos, este é um dos momentos em que eu tenho de reunir todas as forças possíveis para não começar aos insultos, pontapés e puxões de cabeleira. Um horror digno de Hitchcock. Imaginem lá o cenário: O Presidente com voz apagada a dizer, tenham calma, tenham calma, em versão disco riscado. A vizinha do R/C versão século passado,  varina do Bulhão, só faltava a canasta para ficar compostinha. Linguagem, timbre e cheiro condizente (sem ofensa para as varinas). Dois vizinhos que aproveitam as reuniões para troca de insultos de assuntos não contemplados em agenda. Uma vizinha que adora cagar postas de pescada (mais uma portanto) sobre assuntos de que não entende nada. Outro vizinho, ilustre colega de profissão, que aproveita para utilizar palavrões como acolatar para deixar tudo sem saber o que ele quer dizer. Outro que mais parece um armário de 2 portas que afirma com convicção que se alguém lhe chama de aldrabão lhe desfaz a tromba toda. Outro que insiste em me chamar de vizinha Ana, apesar de já lhe ter dito vezes sem conta que não. Um que é vereador da Câmara, mas que de regulamentos camarários não entende nada,. A Senhora que diz que não pode exercer funções de Adminstradora porque sofre de problemas mentais e que se for necessário traz o relatório do psiquiatra e mais alguns que apesar de não serem aqui caracterizados, fazem um barulho danado.
 Por momentos vi-me na pele da Rainha Vermelha, na versão Tim Burton da Alice no Pais das Maravilhas. Seria tão bom poder gritar Cortem-lhe a Cabeça, tão bom.

 Mas nada, estava ali e ia ser a doer até ao final.


Ok, vou-me distanciar da realidade. Vou imaginar que estão todos em cuecas, todinhos… não deu resultado. Então que tal todos moribundos ou mortos, também não, fazem muito barulho. Mascarados? Foda-se. Ou digo alguma coisa ou vou-me embora.
Vou-me embora, é isso!!!
 

Meus Senhores, proferi de pé e em voz alta e de mala à tiracolo, das duas uma, ou a Assembleia decorre a partir de agora de forma civilizada de acordo com o dever de urbanidade, seguindo os pontos agendados na convocatória ou pura e simplesmente impugno esta reunião por não haver condições de permanência em segurança (não tenho a certeza se do ponto de vista jurídico isso é exequível, mas não fez mal porque produziu efeitos). Mas que disparate é este? Onde é que julgam que estão? Aqui não se vende peixe.

Depois foi o silêncio….

A assembleia não acabou, como eu esperava. Antes pelo contrário, continuou e todos se comportaram razoavelmente bem. Deixou-se o ponto das eleições para o final da reunião, uma vez que era problemático, e foi-se avançando com os outros.
Lá se designou a Administração sem grandes tumultos, bom, mais ou menos.

Confesso que até não foi tão mau como perspectivava, apesar de terem sido 3 horas intensas e longas. Acabou bem e ainda ouvi o vizinho dizer-me: Ó vizinha Ana, vou gostar de ver a Senhora como Presidente, tem pêlo na venta. Tudo fica bem quando acaba bem, até ver.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O melhor do mundo...

- Mãe, o meu professor ficou espantado quando eu lhe disse que tinhas 47 anos.
- Ai sim?
- Ficou mesmo espantado Mãe. Tive de lhe dizer duas vezes.
- Às vezes não se aparenta a idade que se tem.
- Ó Mãe, eu acho que ele pensava que tinhas 48.

Lindo, muito lindo!!!!!