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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Como sobreviver a uma separação, sem cortar os pulsos






Mantra #1 – Para consulta e memória futura – versão individual

A separação é um dos momentos mais temidos da vida de um casal. O final de uma relação pressupõe a existência de muitas guerras e guerrilhas emocionais, muitos desequilíbrios de parte a parte. Separar-se devia ser o fim de uma guerra onde não há vencedores nem vencidos, mas sim pessoas que deram uma a outra a possibilidade de voltarem a ser felizes de outro modo.
O luto impõe-se, como se de uma doença incurável se tratasse. E cada um de nós tem o seu tempo para tal. Mas também adaptação, amadurecimento e novos ritmos de vida, com coisas boas a surgirem (importante fixar), incluindo novos amores
Lágrimas e sentimento de vazio fazem parte, assim como recomeços e, mais importante de tudo oportunidades para aprender e crescer.
Ficar sozinha é um dos receios que mais angustia trazem, contudo só quem enfrenta os seus piores medos pode vencê-los. Só aprendendo com os erros do passado evitaremos que a história se repita e se volte a cair na escolha do parceiro dentro do mesmo padrão maléfico à alma.
Cabe a nós a decisão de ficar toda a vidinha a culpar a criatura que viveu connosco ou aproveitar a sensação de liberdade de estar de novo solteiro, sair com amigos, viajar, aprender uma nova língua ou fazer os programas que tanto sonhávamos e acima de tudo mimarmo-nos muito.

Livre-se de tudo que lhe recorda o passado. Deite fora ou doe. Arrume na sua casa e na sua vida tudo o que lhe recorde a relação que terminou. Renove tudo o que puder.

Uma vida nova está à espera para entrar, melhor do que a que deixou.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Atitudes


Há uns dias, num qualquer canal de televisão, chamou-me a atenção o tema de debate.

Esse tema era o envelhecimento das populações, o isolamento, a pobreza e o abandono por parte de familiares.

Este tema é-me muito caro, uma vez que já não tenho os meus pais e custa-me bastante assimilar filhos que abandonam os pais. Isto, atenção, de uma forma muito directa e simplista de abordar o tema, sem aprofundar motivos.

De qualquer forma é angustiante chegar ao final da vida, sozinha, com filhos ausentes, amigos que já foram. Independentemente do caminho que escolhemos, não deveríamos chegar ao final do mesmo sem o conforto partir, sabendo que fomos importantes para alguém, que nos irá recordar. Nos irá eternizar, melhor dizendo.

Mas isto sou eu a pensar e não é disto que gostaria de falar.

Então, no programa, a certa altura censurava-se o governo de não disponibilizar meios financeiros para criar condições para combater este isolamento. Falou-se nos idosos que viviam e muitas vezes faleciam sozinhos, sem que ninguém se apercebesse ou até se preocupasse com isso, e que só passado algum tempo, por força das circunstâncias, eram encontrados por bombeiros que à força arrombavam as portas.

Diversas vozes se insurgiram contra a ineficácia do governo, - Senhor Primeiro Ministro para ali e para acolá, acusando Ministros, programas de governo e o diabo a sete. O representante lá ia respondendo, informando os mecanismos criados para combater esse isolamento, através da contratação de pessoas que no terreno promoviam visitas regulares a aferir das condições físicas e habitacionais de alguns idosos nessas circunstancias.

Mas todos nós poderemos contribuir para minimizar esse flagelo. Então, eu vivo numa cidade grande, mais precisamente num prédio com 11 andares, onde habitam, maioritariamente rapaziada-de-idade-avançada. Muitos deles sozinhos, por opção ou não. Alguns independentes e catitas outros debilitados e dependentes.

Será que se todos nós dispuséssemos uns minutos do nosso dia a visitar ou a telefonar para o nosso vizinho idoso não seria boa ideia? Prestar apoio, p.e. em ir às compras, conversar um bocadinho, ou até mesmo convidar para vir a nossa casa, partilhar do nosso convívio familiar à mesa.

Porque é que só sabemos reclamar do Governo atitudes que nós não temos para com o nosso semelhante?

Não digo que não tenham culpas no cartório, até porque, a maioria destes idosos têm pensões de miséria e que não permitem contratar apoio adicional ao que a Segurança Social ou Santa Casa da Misericórdia providenciam. Podem estar limpinhos e alimentados, mas acabam por passar demasiadas horas sozinhos.

Da minha parte já faço isso há muitos anos. Este convívio geracional é bastante enriquecedor, não só para nós que proporcionamos estes momentos, como, sobretudo para os nossos filhos que aprendem a ser solidários, pacientes e respeitadores com os mais velhos.

Não podemos ou devemos virar a cara a situações próximas, até porque muitos de nós, com alguma falta de sorte, irá por ela passar e o abandono em que hoje os outros se encontram poderá ser também nosso amanhã.