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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Só faltava isto…

Só faltava isto…

Como já vos contei, o condomínio do meu prédio é administrado por um condómino que, por estar reformado e gostar destas actividades, se ofereceu para desempenhar as funções. E assim permanece há uns anos, e pasmem, de forma graciosa. Nada a apontar, a não ser, por vezes, algum excesso de zelo, que para mim, dada a qualidade do pessoal que por lá habita, acaba por ser mais uma virtude do que um defeito.

 De maneiras que, e para estragar a harmonia, a peixeira de serviço (com todo o respeito que as peixeiras me merecem) resolveu entrar em modo bipolar e literalmente desancar o senhor condómino. Uma verdadeira cena canalha.

Motivo principal da quezília: as obras da casa da porteira estarem a ser efectuadas sem o devido reporte aos restantes condóminos.
Consequência: Demissão tempestiva e irredutível do administrador em funções, que não está para aturar malucas.

De imediato foi criado um comité de salvação nacional, armado com escudos, coletes à prova de bala e gás lacrimogéneo, para confrontar a peixeira interveniente na acção, sobre os verdadeiros motivos que levaram a tamanha afronta. A resposta, após alguns pés, efes e cês, foi que nunca gostei do focinho desse senhor. Típico de uma senhora que em tempos teve a polícia à porta por bater não só no pai como também no namorado. É de força a bicha. Mas dentro da casa dela, pode bater a quem quiser ou a quem a deixar bater, obviamente.

Resultado e moral da história, agora estamos em auto gestão, com obras a decorrer, orçamentos a pedir, um não acabar de pintelhísses a deixarem-nos sem alternativa. Temos de convocar uma assembleia para nova eleição da Administração. Ó que caralho de gente.

Barbie Sonsa #3

- Doutora posso ter um privado consigo?

- Se pode ter um privado, acho que sim, desde que seja rápido. Entre e sente-se.

- Vou fechar a porta se não se importar.

- Então, o que se passa?

- Não me leve a mal, mas eu acho que a Doutora não gosta de mim. Gostava de saber porquê.

- Mas que disparate é esse?

- Eu tenho a sensação que me trata de forma diferente das outras pessoas.

- Pois é mesmo sensação porque eu trato todas as pessoas por igual, não faço distinções. Mas diga-me lá uma coisa, como sabe estamos com um afluxo imenso de actividade, temos prazos e as solicitações são mais que muitas; repito, estamos todos muito ocupados, incluindo a Barbie, como é que ainda tem tempo para se preocupar com essas questões ? Se eu gosto de si? Mas que maluqueira é essa?

- Está a ver (a choramingar) a Doutora não trata ninguém assim como me está a tratar a mim.

- Ó Barbie, não a quero perturbar porque estou a ver que é muito sensível, mas acha que algum dos seus colegas entra aqui com essas questões? Acha que no local de trabalho existem essas premissas de gostar ou não gostar? Tenha juízo está bem? E já agora já me tratou do assunto que lhe pedi?

- Ainda não Doutora. Tenho estado aqui consigo!

- Então deixe-se disso e vá lá tratar do assunto que é urgente. Eu gosto de si como gosto de qualquer pessoa que trabalha aqui. Não pense nisso.

- Eu não digo, a Doutora comigo é muito brusca.

- Ó Barbie, (estou a ficar no limite) vá tratar do assunto por favor. Está bem assim?

- Com licença Doutora.

- Está licenciada.



(acho que hoje vou ter um dia fodido…..)

Para emoldurar

A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver

José Saramago

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Conselhos #2






Este texto já é antigo, mas por continuar actual, republico.
Estou a necessitar desta memória passada.




"
Não gosto que me dêem conselhos sobre como educar a minha filha.

Se há máxima que eu sigo com rigor é a de que é mais fácil educar os filhos dos outros do que os nossos, por isso tenho uma grande intolerância a opiniões e criticas que envolvam o meu rebento (até porque não só não reconheço em ninguém dotes especiais e superiores para a função, como também em termos de obra feita, não me lixem, sim?).

Não sou uma mãe super protectora. Sou atenta. Gosto de ler e me informar sobre as formas de agir nas diversas fases que os miúdos passam. Sou exigente. Não aceito bem erros por desatenção ou por brincadeira, na escola. Não me entusiasmo facilmente com os bons trabalhos ou com notas boas, que poderiam ser melhores. Sou assim não porque gosto, mas porque entendo que devo ser assim.

Da exigência advém a excelência. Quero dotar a minha filha destas armas para que se defenda, para que siga o curso que quer e não o que está ao alcance da média obtida. Sei que é um objectivo ambicioso e sujeito a factores subjectivos que terão de ser considerados (nomeadamente a vontade própria). Mas não desisto, porque quero o melhor para ti, filha.

Tendo isto em consideração, porque carga de água tenho de ouvir filhaputisses do género, não deve ser tão exigente com a sua filha, um dia ela ainda a vai odiar, isso aconteceu comigo e com a minha mãe, nanana e mais nanana. Olha amiguinha, se fosses para o c@r@lho  é que te faria bem, especialmente se daí resultasse uma criança, para podermos voltar ao assunto daqui a uns anos. Não esbanjo amizades mas estes momentos não são nada favoráveis à manutenção de um relacionamento, nada mesmo. Por isso amiguinha, se ficaste ofendida com a resposta, da próxima, se houver próxima obviamente, ficas caladinha porque ninguém te pediu opinião. Bardamerda. "