Habitar na mesma cidade onde se
passou a maior parte da vida, propícia ocasionalmente, encontros com pessoas
que de uma forma ou outra compartilharam pedaços da nossa existência, num
passado mais ou menos remoto.
Ex-namorados, amigos dos tempos
de escola, ex-colegas de ex-empregos, amigos de amigos, família de amigos, um
sem número de pessoas que nos são familiares e que coloriram ou não o pedacinho
de estrada que percorremos.
Este lirismo todo para quê? Para
dizer que me cruzei com um ex-namorado. É verdade. Não nos viamos á mais de 20
anos e assim de repente ali está ele, com o mesmo sorriso de sempre. Não tive
fuga, e também não havia motivo para tal.
Muitos cumprimentos, olás e olés.
Primeiro tempo – análise de
invólucros – envelheceu, mas isso também
eu. Cabelo branco – me too, apesar de
estar devidamente coberto e amadeixado.
Engordou – não quero nem falar
nisso, sim?. Segundo tempo – O que é feito de ti? – Casado, filhos, divorciado,
casado, filhos, divorciado e avô (por esta ordem) Avô, ena, já cruzaste a meta. Eu ainda vou, vá lá, a dois terços da
chegada. Terceiro tempo – Profissão – Gestor Aposentado e Professor – Merda para isto, este gajo em vinte e tal
anos deve ter entrado em warp speed, eu ainda nem a meio disso vou. Quarto
tempo – o nosso tempo – aquilo é que eram
tempos bons, como fomos felizes (deve sofrer de memória selectiva), nunca nos
deveríamos ter separado, porque é que nos separamos (mau mau) e quando nos
voltamos a encontrar, almoço, jantar, whatever!!!! Quinto tempo – a
despedida – Troca de telemóveis, promessas de encontros que obviamente não irão
ser cumpridos. Adeus e gostei de te rever, não quero voltar a esperar mais 20
anos para te voltar a ver. Estás na mesma. Que saudades tive tuas!!!
A história ficou lá, no passado,
e lá deve permanecer. Porquê perder tempo a pensar no que poderia ter sido a
nossa vida se tivéssemos feito outras opções. Que depressão do catano…. (hoje estou a portar-me muito bem, ainda não disse
nenhuma asneira cabeluda)
É sempre bom sentir saudades de
um tempo em que fomos felizes, não tínhamos preocupações, tudo era vivido ao
extremo, a primeira paixão, o primeiro beijo, em que tudo era urgente, mas tão
somente isso, saudades. Não é viver o presente hipotecado ao passado.
O que aconteceu em
Paris, permanece em Paris.