quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Encontros


Habitar na mesma cidade onde se passou a maior parte da vida, propícia ocasionalmente, encontros com pessoas que de uma forma ou outra compartilharam pedaços da nossa existência, num passado mais ou menos remoto.

Ex-namorados, amigos dos tempos de escola, ex-colegas de ex-empregos, amigos de amigos, família de amigos, um sem número de pessoas que nos são familiares e que coloriram ou não o pedacinho de estrada que percorremos.


Este lirismo todo para quê? Para dizer que me cruzei com um ex-namorado. É verdade. Não nos viamos á mais de 20 anos e assim de repente ali está ele, com o mesmo sorriso de sempre. Não tive fuga, e também não havia motivo para tal.
Muitos cumprimentos, olás e olés.

Primeiro tempo – análise de invólucros – envelheceu, mas isso também eu. Cabelo branco – me too, apesar de estar devidamente coberto e amadeixado.  Engordou – não quero nem falar nisso, sim?. Segundo tempo – O que é feito de ti? – Casado, filhos, divorciado, casado, filhos, divorciado e avô (por esta ordem) Avô, ena, já cruzaste a meta. Eu ainda vou, vá lá, a dois terços da chegada. Terceiro tempo – Profissão – Gestor Aposentado e Professor – Merda para isto, este gajo em vinte e tal anos deve ter entrado em warp speed, eu ainda nem a meio disso vou. Quarto tempo – o nosso tempo – aquilo é que eram tempos bons, como fomos felizes (deve sofrer de memória selectiva), nunca nos deveríamos ter separado, porque é que nos separamos (mau mau) e quando nos voltamos a encontrar, almoço, jantar, whatever!!!! Quinto tempo – a despedida – Troca de telemóveis, promessas de encontros que obviamente não irão ser cumpridos. Adeus e gostei de te rever, não quero voltar a esperar mais 20 anos para te voltar a ver. Estás na mesma. Que saudades tive tuas!!!

 Estes encontros deixam-me sempre com um sabor a amargo. Detesto quando me obrigam a fazer estas viagens no tempo, quando o tempo que passamos deve ter sido bom mas acabou mal. Por isso mesmo não permanecemos juntos, certo?

A história ficou lá, no passado, e lá deve permanecer. Porquê perder tempo a pensar no que poderia ter sido a nossa vida se tivéssemos feito outras opções. Que depressão do catano…. (hoje estou a portar-me muito bem, ainda não disse nenhuma asneira cabeluda)

É sempre bom sentir saudades de um tempo em que fomos felizes, não tínhamos preocupações, tudo era vivido ao extremo, a primeira paixão, o primeiro beijo, em que tudo era urgente, mas tão somente isso, saudades. Não é viver o presente hipotecado ao passado.

 Quando entro nessa viagem à saudade, muitas vezes fruto de encontros com pessoas do passado, vem-me à memória uma frase que ouvi há muito tempo
 

O que aconteceu em Paris, permanece em Paris.