segunda-feira, 1 de abril de 2019

Escolhas de vida


A vida leva-nos para onde quer, com ou sem o nosso consentimento ou escolha, lá vamos nós em direcções estranhas, chegando a destinos errados, ou não.

De quando em vez paramos para pensar, mas como é que eu cheguei aqui, que diabo (falta) de orientação foi esta?

Olhamos para trás, para a trilha que percorremos e de facto só vemos os nossos passos, só os nossos passos. Ah e tal eu fui por ali porque fui influenciada por fulano que disse que aquele seria um bom caminho ou por beltrano que aconselhou aquela saída ou porque na altura não vimos mais nenhum caminho possível. Virar à direita ou à esquerda, seguir em frente ou mesmo não se mexer a escolha é sempre nossa.

Infelizmente, nem tudo é simples, há tantos constrangimentos, obrigações, imposições que nos forçam a alterar o percurso. Passamos a vida a calibrar o nosso GPS.

 

Até que um dia, a realidade nos parece muito pesada, o tempo passou rápido demais, o caminho que inicialmente nos propusemos percorrer ficou cheio de desvios. Que diabo, parecia uma auto-estrada com tantas faixas.

Paramos.

Olhamos para trás.

Afinal não consegui chegar áquele destino, cheguei a outro.

Que interessa… a viagem foi a MINHA viagem, feita de escolhas e decisões MINHAS.

Foram os meus pés que me trouxeram até aqui, com vontade própria e nunca empurrada.


 (serve de memória futura, sempre que me der a lamúria…)



sexta-feira, 1 de março de 2013

Hiperactividade, pois pois...

Há uns dias, aproveitando o sol, fomos até uma esplanada. Muita criançada, muitos pais e avós, os cães, o lago, os patos, tudo muito compostinho e animado.

Enquanto a minha filha andava a rebolar-se na relva com o pai, aproveitei o momento de paz para me aperceber do que se passava por ali.

Alguns dos garotos que por lá andavam eram perfeitos diabinhos, como é próprio da idade, mas outros iam mais além, como é o caso do que vou partilhar convosco.

Um miúdo, talvez com 7 ou  8 anos entrou pelo lago dentro para apanhar uma família de patos (mãe pata e mais uns tantos patitos). Olhei em volta, na esperança de ver um ou os progenitores levantar-se para impedir o ataque. Mas nada. Já com os nervos em franja levantei-me e gritei para o miúdo sair dali (nem imaginam a aflição dos animais…). Então não é que o paizinho do puto cretino veio ter comigo a pedir explicações. Quem era eu para estar a gritar com o miúdo, se era de alguma liga de defesa dos patos, que até são animais sujos, ou se o espaço era meu. Nem queria acreditar, mas, refeita da surpresa, o senhor ouviu das boas. Mais calmo disse-me que o miúdo era hiperactivo e que necessitava de se “expandir”, ao que lhe respondi, é hiperactivo uma ova, o seu filho é mal educado, isso sim.

Não vou contar o resto da conversa, porque, não vale mesmo a pena, não foi muito bonito de se ver.

Mas, esta história serve para espelhar o que eu penso em relação a estas situações; é mais fácil andar a dar gotas calmantes à canalha do que lhe ensinar boas maneiras. É mais fácil e dá menos trabalho. E não estou a falar só dos paizinhos, também os professores têm o seu papel nesta acção, mas dessa experiência vos falarei depois.

Não quero com isto dizer que não haja crianças que padeçam disso, obviamente, e estas sim, devem ser tratadas, mas não há justificação lógica para o aumento brutal deste diagnóstico nestes últimos 10 anos. Hiperactivas não, mal educadas.
 
 

foto tirada do google

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Da morte e outras perdas


Quando não consigo assimilar determinado assunto ou situação costumo escrever sobre isso.

É um “truque” que utilizo desde sempre, quando me sinto à beira de-não-saber-para-onde-me-virar ou o que fazer.

 Verbalizar, ou no meu caso escrever sobre o que sinto ou esquematizar os problemas que tenho de resolver é o meu escape para não entrar em estados depressivos. Escrevo, leio várias vezes e apago (ou não quando necessito deles para memória futura).

Mas o assunto que hoje vou partilhar convosco é um estado de espírito que me afecta há muitos anos, mas não só a mim, motivo pelo qual aqui está espelhado.

A Morte

A morte faz parte das nossas vidas, todos dizem. Temos de aceitar, fazer o luto, rezar (para mim não é opção uma vez que não sou católica) aceitar e aceitar e aceitar.

Pois é, mas eu não consigo. Para mim a morte, especialmente dos que me são próximos, é uma perda irreparável que leva meses e até anos a ser digerida, com altos e baixos, com mais ou menos desespero.

Não consigo aceitar. Nada em mim consegue aceitar a perda.

Como é óbvio esta minha incapacidade advém do facto de muito cedo ter sido confrontada com a morte. Os meus pais faleceram num acidente de viação quando eu era jovem. Em virtude dessa tragédia, os meus avós encarregaram-se (coitados, que outra coisa poderiam fazer?) que nunca fizesse o luto. Não podia ficar triste nem sentir saudades, então devia viajar, sair daqui, fugir de tudo o que me trouxesse à memória o acidente. Resultado, sem luto não há apaziguamento da dor nem esquecimento.

A dor da perda tornou-se assim como que mais um órgão acessório que me acompanha deste sempre. E como o equilíbrio é frágil, todas as perdas que tenho sofrido são sentidas de maneira demasiado intensa.

Ainda fiz terapia durante uns tempos, mas, para ser sincera, de nada adiantou.

O que me deixa seriamente preocupada é que começo a entrar numa idade em que já começo a ser confrontada com essas perdas, os tios velhotes, os pais dos amigos e até mesmo alguns amigos que prematuramente nos deixaram.

Tenho mesmo de resolver esta questão