segunda-feira, 20 de dezembro de 2021


- Estás pronto, tio? Estou aí dentro de 5 minutos.
- Olha lá, vens buscar-me mas hoje tenho de regressar mais cedo.
- Está bem. Queres que te traga a que horas?
- Não sei, quando puderes. Logo a seguir ao almoço, está bem?
- Logo a seguir ao almoço, mas porquê, tio?
- Porque amanhã muito cedo tenho consulta marcada e não posso chegar atrasado.
- Não podes chegar atrasado? Está bem. Já estou à tua porta, vem descendo.
- Então conta-me lá, porque é que tens de chegar cedo hoje.
- Porque tenho de preparar os exames para levar amanhã para a consulta. Já sabes que agora faço tudo devagar. A cabeça não ajuda.
- Está bem tio. Logo, quando te vier trazer ajudo-te a preparar os exames, está bem? Assim ainda lanchas lá em casa.
- É melhor ser a seguir ao almoço. Ainda tenho de preparar a roupa, e já sabes que eu demoro.
- Está bem, eu trago-te quando quiseres. E ajudo-te com a roupa também, não te preocupes.
- Mesmo assim tenho de chegar cedo. Não me dava jeito nenhum ir almoçar convosco hoje.
- Queres que vá contigo ao médico?
- Não, claro que não. Não sou nenhum incapaz. Consigo fazer a minha vida sem a tua ajuda. Não estou assim tão velho. Não tarda nada ainda me pões num lar, cheio de velhos à espera de morrer. Triste fim o meu. Trabalhei toda a minha vida, ajudei todos e agora acabo num lar abandonado (choramingo). Já se sabe, com 80 anos não se espera outra coisa. .
- Ó tio, que disparate. Eu só te quero ajudar, nada mais. Alguma vez me ouviste falar em te colocar num lar? Tens cada uma.
- Vais comigo amanhã ao médico?
- Vou e não faças mais dramas.
- Mas preciso de chegar cedo hoje, logo a seguir ao almoço.
- Está bem. A que horas é o médico amanhã?
- Espera, tenho aqui apontado. É às 11h00. Olha que eu não quero ir com as calças azuis porque já estão apertadas e não posso ir de calças de ganga para a consulta.
- Logo tratamos disso.
- E os exames estão todos separados no aparador da sala.
- Está bem.
- Se vais comigo à consulta tens de cá chegar às 9h00, não quero chegar atrasado. Consegues cá estar a essa hora?
- Sim. Vou deixar a garota à escola e venho logo para cá.
- Não te atrases.
- Fica tranquilo que não me atraso. Sossega.
- Mas vais faltar ao emprego.
- Estou de férias, tio.
- Mas vens cedo, está bem, senão chego atrasado.
- Está bem (suspiro).
- Já te contei que estive nos Jogos Olímpicos de Moscovo? Aquilo é que foi. Mesmo em Moscovo. Uma aventura.
- Gosto de ti, tio.

Somos assim!!!!!



De vez em quando utilizo os transportes públicos.

O que mais gosto nos pequenos trajectos que faço, confesso, é ouvir as conversas dos que me rodeiam. Não pertenço ao grupo das “quadrilheiras” convictas, mas como sou curiosa, ouvir opiniões, desabafos e enfins, sem ter de participar nas conversas, agrada-me de sobremaneira.

Chega de intróito. Então, apercebi-me da conversa de duas senhoras, vá lá, na casa dos quarentas e tais, sentadas à minha frente. Então o tema era, a-vaca-da-nossa-colega-que-se-foi-chibar-ao-chefe de qualquer coisa que a dita senhora não fez, ou fez mal. Bom, senhores ouvintes, aquilo é que era veneno puro, purinho sem adições. Saíram as senhoras, sentaram-se outras. Jovens, vinte e poucos. Como não podia deixar de ser a temática era a mesma mas com outro enquadramento, a-mula-da-não-sei-quem-que-se-andou-a-fazer-ao-meu-namorado. Mais veneno, desta vez bastante ilustrado de palavrões.

Fiquei a pensar, será que esta gente não tem assuntos mais giros para falar? Porque é que perdemos tempo com merdas que não interessam a ninguém, e pior que isso, atentem bem, quando é que iremos deixar de lado esta filhaputice umas com as outras.
Já vi que a minha geração, a anterior e a seguinte não é recuperável quanto a esse assunto, mas se começarmos a mentalizar as filhas ou as netas, consoante o caso, para essa temática, talvez um dia, quem sabe, esta filosofia irá alterar… espero bem é que não seja genético!!!!

Não se iludam, se assim continuarmos, iremos sempre estar a jeito para que ninguém (especialmente do sexo oposto) nos leve a sério.

Eu por mim já comecei o processo de mentalização.



O vermelho é para PARAR



O vermelho é para PARAR

Meninos e meninas com idade superior a 70 anos repitam comigo SINAL VERMELHO É PARA PARAR, outra vez, SINAL VERMELHO É PARA PARAR, DEMORE O QUE DEMORAR!!!!!!!!!!
(este texto é exclusivo para essa faixa etária, se bem que pode servir para todos)

Há coisas que me ultrapassam. Francamente não entendo.
E isto tudo porquê? Porque não consigo compreender o kamikazismo (palavra agora criada, ao abrigo de um léxico próprio da autora) das pessoas idosas quando têm de atravessar uma estrada/rua com sinalização luminosa. Quais boneco vermelho quais arroz de grelos, os carros que parem e acabou.

Quase numa base diária assisto a cenas desta natureza. E, obviamente, de vez em quando há bernardadas, neste caso, atropelamentos de pessoas idosas porque não respeitaram os sinais.

E o mesmo se passa nas passadeiras, que apesar de terem prioridade, levam-na tanto a peito que nem olham ao atravessar. É vê-los a avançar, com uma coragem, quase comovente. Verdadeiros Dom Quixotes de bengala em riste.


Afinal, esclareçam-me:
Qual é a pressa? Talvez de chegar ao hospital, não? A ideia de tenho sobre chegar a essa idade, mazelas à parte, é a de que se tem tempo. Se estou enganada desato já a chorar porque há tantas coisas que anseio fazer quando me reformar…
Perninhas, temos? Quando o sinal muda a meio da travessia, que fazem, correm? Ou esgrimem bengaladas ou carteiradas, conforme o apetrecho, para o veículo que se atreva a arrancar?
A perspectiva de um encontro com o capot de um carro agrada? Lixar a própria vida e a dos outros, também?

Não quero generalizar, nem sequer ilibar de responsabilidades os condutores, que não são santos nenhuns, nem pensar. Aliás o assunto da civilidade na condução dava um verdadeiro tratado de 500 volumes ou mais.

Mas temos de atentar o que é mais importante e que nenhum bate chapas ou seguradora conseguem repor, a vida.

Todos fazemos falta; à família, aos amigos, a nós próprios, ao senhor do café que já se habituou ao cumprimento diário, à senhora da mercearia, aos senhores das linhas directas, dos call centers, da Zon, da MEO, da Vodafone, da Optimus, do Circulo de Leitores e muito mais. Em suma FAZEMOS FALTA. O mundo fica sempre mais pobre quando alguém morre, seja qual for a idade.

Por isso meninos, vamos lá atinar, sim?
O VERMELHO É PARA PARAR!!!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Como sobreviver a uma separação, sem cortar os pulsos #2







Mantra #2 – Para consulta e memória futura – versão amigos



Por muito que as amizades sejam sólidas, há sempre uns quantos que desaparecem das nossas vidas, quando a separação é anunciada. 

O princípio de que tudo pode mudar, aplica-se também aos amigos que connosco conviviam, enquanto casal. 

A consciência de que nada é garantido, permanente e definitivo é por vezes factor de afastamento de casais amigos, como se, com o afastamento pudessem evitar a sua própria separação, por contágio. 

Abrir mão do passado, cumprindo o princípio que só cá está, quem cá faz falta, é uma das medidas a tomar para minimizar a angustia e evitar ressentimentos.

Tudo tem o seu tempo, e com ele o suave desprendimento do passado, mas também a abertura para novas pessoas e novas experiências. 

Em todo o lado há pessoas interessantes, prontas a acolher-nos, a respeitar-nos e quem sabe a amar-nos. 

Só cá está, quem cá faz falta.







Como sobreviver a uma separação, sem cortar os pulsos






Mantra #1 – Para consulta e memória futura – versão individual

A separação é um dos momentos mais temidos da vida de um casal. O final de uma relação pressupõe a existência de muitas guerras e guerrilhas emocionais, muitos desequilíbrios de parte a parte. Separar-se devia ser o fim de uma guerra onde não há vencedores nem vencidos, mas sim pessoas que deram uma a outra a possibilidade de voltarem a ser felizes de outro modo.
O luto impõe-se, como se de uma doença incurável se tratasse. E cada um de nós tem o seu tempo para tal. Mas também adaptação, amadurecimento e novos ritmos de vida, com coisas boas a surgirem (importante fixar), incluindo novos amores
Lágrimas e sentimento de vazio fazem parte, assim como recomeços e, mais importante de tudo oportunidades para aprender e crescer.
Ficar sozinha é um dos receios que mais angustia trazem, contudo só quem enfrenta os seus piores medos pode vencê-los. Só aprendendo com os erros do passado evitaremos que a história se repita e se volte a cair na escolha do parceiro dentro do mesmo padrão maléfico à alma.
Cabe a nós a decisão de ficar toda a vidinha a culpar a criatura que viveu connosco ou aproveitar a sensação de liberdade de estar de novo solteiro, sair com amigos, viajar, aprender uma nova língua ou fazer os programas que tanto sonhávamos e acima de tudo mimarmo-nos muito.

Livre-se de tudo que lhe recorda o passado. Deite fora ou doe. Arrume na sua casa e na sua vida tudo o que lhe recorde a relação que terminou. Renove tudo o que puder.

Uma vida nova está à espera para entrar, melhor do que a que deixou.