quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Casamento



- Já sabes que o  nosso colega F. se vai casar? Com um gajo?
- Sei, porquê?
- Nem queria acreditar. Que horror.
- Horror porquê?
- Acho imoral. Não concordo nada.
- Não há nada para concordares. Tens a tua opinião sobre o assunto e mais nada.
- Ó, lá estás tu. Será que vão usar alianças? Mudar de nome?
- Só se não quiserem.
- Achas que vão vestidos de igual? Isto faz-me uma confusão danada.
- Se isso é importante para ti, eu faço-te o relato da cerimónia.
- Tu vais ao casamento? Não acredito, a sério?
- Vou e levo a minha família. Olha lá tu não tens mais nada para fazer? Que seca que estás hoje!!!
- Não estou nada. Mas a tua filha vai? Que horror, que mensagem vai passar para ela?
  (suspiro)
- Mensagem de amor, de igualdade, de justiça, de tolerância pela diferença… chega?
- Por essa ordem de ideias qualquer dia estão a celebrar casamentos entre pessoas e animais, não?
- Não te fazia mal pensar um bocadinho antes de falar. Estás a comparar o que não é comparável. Isso são distúrbios do foro psiquiátrico.
- Desculpa, é a mesma coisa. Tudo isso é contra natura. Afinal o objectivo do casamento não é procriar, continuar a espécie? Como é que eles vão fazer isso?
- Já cá faltava a homília dominical. Tu tens direito a ter opinião sobre o assunto assim como eu. Não são compatíveis e  não há problema nenhum nisso. Não me melgues mais. Se queres mais pormenores, vai falar com o F.
- Mesmo assim acho que não devias ir.
- Estou tramada contigo. Vamos tomar um café e falar dos saldos.




"Eu permito a todos serem como quiserem, e a mim como devo ser."

[Chico Xavier]

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